quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Oz, Pois a Vida é Uma Prisão

Postado originalmente em 20/12

O seriado Oz – A Vida é uma Prisão mostra o dia a dia de um presídio de segurança máxima. O jovem idealista Tim McManaus recebe do Governador James Devlin uma grande responsabilidade: Transformar o bloco 5 da Penitenciária de Segurança Máxima Oswald ("carinhosamente" apelidada de Oz). Com a ajuda do diretor Leo Glynn, da psicóloga Irmã Peter Marie Reimondo, do Padre Ray Mukada e dos guardas, McManus muda o nome do bloco para Emerald City.
Em City, as regras são diferentes. É proibido sexo, exercícios físicos são obrigatórios, drogas são proibidas, todos tem que trabalhar. Os presos podem perambular pela unidade o dia todo, até que, de noite, ocorre o enclausuramento, onde todos os presos devem ficar em suas celas de paredes transparentes até a manhã seguinte. City é um ambiente hostil, onde gangues étnicas e grupos religiosos se formam. Assassinatos e tráfico de drogas são comuns.

Oz foi a primeira série produzida pela HBO, entre 1997 e 2003. Durou seis temporadas, quase todas de oito episódios.Seu criador foi Tom Fontana, que escreveu sozinho o roteiro de quase todos os episódios.
Pioneiro na tv a cabo, ele criou um seriado adulto, violento, sulfocante e inpressionante. O programa era ousado esteticamente, usando linguagem única na televisão. Por exemplo, efeitos sonoros (lembrando bolinha de gude caindo no chão) complementavam os atores de modo quase experimental.

Cada episódio de 60 minutos aproximadamente era narrado pelo prisioneiro Augustus Hill (Harold Perrineau, Michael em LOST). Ele interrompia o episódio várias vezes, aparecendo em uma cadeira de rodas e falando diretamente com o espectador. Cada episódio Hill falava sobre um assunto diferente: política, ecologia, religião, ética, esportes, sexo, etc. Essa narração se referia aos acontecimentos naquele episódio de maneira abstrata e nada óbvia.Além disso, a narrativa era pouco convencional. Não havia protagonista ou enredo principal. Oz tinha elenco gigante e reciclável (pelo menos uma morte por episódio). Os episódios eram compostos por historietas de cinco minutos – com início, meio e final surpresa. Quase toda a ação acontecia em Emerald City, ala de reabilitação e segurança máxima de Oz. Nessa ala havia um precário equilíbrio de raças, credos e facções criminosas.Nesse lugar acontecia todo tipo de histórias. Amor, humor (negro), religião, crime, vingança, ódio, injustiça, rebeldia, culpa, amizade. E horror acima de tudo. A série mostrou formas criativas de estupro, assassinato, suicídio e tortura. Além disso, Oz era niilista e amoral, não pregando qualquer mensagem, otimista ou pessimista. Muitas vezes um “herói”, para pegar o “vilão”, tinha que matar ou prejudicar inocentes. E geralmente fazia isso sem dor na consciência!Outra coisa, a série evitava psicologia, deixando ambíguos os motivos dos personagens. Mais importante, Oz não queria explicar origens da violência. Inclusive muitos episódios satirizavam as tentativas de entender comportamento criminoso. Por isso, liberais (“desigualdade social!”) sentem-se atingidos. Reacionários (“paredão neles!”) também, pois mesmo os piores prisioneiros tinham momentos de humanidade. Já os funcionários de Oz podiam ser cruéis. Talvez esse seja o legado de Oz: grandes atores e personagens extremos e inesquecíveis.

Oz está entre minhas séries preferidas e acho que dificilmente aparecerá outra para substituí-la. É uma daquelas séries que surgem para fazer a história dos seriados. Quem não viu veja.

2 comentários:

  1. adoro esse seriado;tem uns caras que quando ficam peklados eufico doida.

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  2. Eu só assistia pra vê pintu!!!

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