quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Canadá facilita parcerias para animação brasileira


Veja na íntregra reportagen da Folha Ilustrada, sobre a boa relação entre o Canadá e o Brasil, que rende bons frutos na área da animação:

O produtor André Breitman estava com os contratos da série "Amigãozão" à beira da assinatura. Havia o dinheiro brasileiro, o dinheiro canadense e uma das mais respeitadas emissoras infantis do mundo, a Treehouse TV, disposta a exibir o desenho. Não havia, porém, banco que aceitasse o negócio.

"O produtor canadense teve de ir a sete bancos simplesmente porque o negócio era com o Brasil. Ainda há alguma desconfiança", diz Breitman.

Sua empresa, a 2DLab, foi uma das 20 produtoras brasileiras a aterrissar sob os -2º do outono de Ottawa (Canadá), em outubro, para participar de um encontro de animação.

Entre um cookie e outro, tentaram firmar negócios ou, ao menos, trocar cartões e promessas. O relato de Breitman mostra as duas faces dessa ofensiva. Se, de um lado, "Amigãozão" conseguiu sair do papel, de outro, indica as pedras existentes nesse caminho feito de bichos e coisas que falam.

"A série é um negócio de US$ 6 bilhões e o Brasil é novo nesse cenário. As possibilidades são muitas, mas as exigências também", pondera.

Quero ser grande

A excursão brasileira ao Canadá indica, primeiro, que existem mais semelhanças entre o frio e o quente do que imaginam nossas televisões.

Conhecido polo de animações para a TV, o país acaba de firmar novo acordo de coprodução com o Brasil e, pouco a pouco, vai colocando sua bandeira em criações assinadas por brasileiros. A primeira foi "Escola pra Cachorro", que estreou em outubro na Nickelodeon.


Parte do interesse canadense decorre dos benefícios disponibilizados para as coproduções. Quando assina um contrato com outro país, o produtor canadense pode completar até 20% do orçamento com recursos públicos. "Nossa postura sempre foi buscar recursos no exterior. Agora descobrimos que precisamos oferecer alguma coisa", diz Marco Altberg, da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPI). Mas os canadenses ainda tateiam. "Percebemos um movimento interessante, mas ainda estamos descobrindo as reais possibilidades de negócio", diz Kevin Gillis, da produtora Skywriter.

Um dos receios do grupo que foi ao Canadá é o de ser confundido com chineses, coreanos ou indianos que, por oferecer mão de obra barata, são contratados pelos estúdios para executar umas poucas cenas.

"Nosso objetivo é mostrar que não somos simples prestadores de serviço, mas criadores de produtos originais", diz Eliana Russi, gerente executiva do Brazilian TV Producers (BTVP), que organiza as viagens e alinhava os acordos. "É clara a existência desse espaço para coproduções, até porque basta trocar a voz e a animação viaja para vários países."

Menos simples que trocar voz é criar desenhos que, de fato, interessem às TVs internacionais. Mas, como mostra o quadro ao lado, já são pelo menos cinco as séries brasileiras que, entre este ano e o ano que vem, terão espaço nas telas brasileiras e estrangeiras.

Parte desse processo se deve, também, à abertura de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), utilizada por parte dos produtores. Ao mesmo tempo, o secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, repetiu, durante a viagem, que o apoio à animação até sobreviveu, basicamente, da publicidade e tornou-se política de governo.

Mas é Sergio Martinelli, produtor das séries "Anabel" e "Pinguinics", quem resume essa história: "A animação brasileira vai ser um fato concreto aqui quando a criança disser: 'Mãe, compra o DVD do Peixonauta?'". O teste está lançado.

A jornalista ANA PAULA SOUSA viajou ao Canadá a convite do Brazilian TV Producers (BTVP) e do Consulado Geral do Canadá em São Paulo

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